Sociedade: Entre o Céu e o Inferno

Publicado por Michael de Sousa Anselmo em 13 de abril de 2017

Há algum tempo atrás, quando ainda estava na faculdade, comentei com um professor que eu estava pensando em abrir uma empresa em sociedade com um amigo meu. De imediato ele se mostrou contrário a ideia e justificou o seu pensamento dizendo que esse era um caminho perigoso e que foi responsável pelo fim de grandes amizades. Reconheço que fiquei bem pensativo, pois tinha e ainda tenho um grande respeito por ele. Mas as palavras dele não me desmotivaram, apenas me fizeram ficar mais atento aos possíveis erros que eu poderia cometer dentro da sociedade e levá-la a um fim que não era o esperado. O tempo foi passando e percebi que uma sociedade não é simplesmente abrir uma empresa com outra pessoa (vale ressaltar que abrir uma empresa  por si só já é uma tarefa difícil), mas sim ser desafiado constantemente. É uma missão bem mais complexa do que eu esperava ou pelo menos me julgava preparado!

Logo de início parecia tudo as mil maravilhas. Sentávamos constantemente para mostrar nossas ideias. Passávamos horas conversando sobre o futuro que queríamos e como poderíamos chegar até ele. Colocávamos em prática tudo que tinha sido planejado e tínhamos uma organização impecável. Elogiávamos o trabalho do outro e nos alegrávamos quando percebíamos a superação do outro. Esse de fato foi um período muito bom e produtivo. O ânimo ajudou bastante, a experiência com o novo trazia alegria, as possibilidades que se abriam eram simplesmente impressionantes! No início tudo era fácil, parecíamos estar no Céu.

 O tempo passou, os clientes aumentaram, o dinheiro começou a entrar, o tempo começou a faltar, a organização começou a ficar mais incerta. Certamente já sabíamos que os dias maus chegariam, assim como chega pra todo mundo, mas não sabíamos que seria tão veemente. Sabíamos também que se fossemos fortes esse tempo difícil passaria, mas precisaríamos ser melhores do que éramos. Precisaríamos passar mais tempo investindo em planejamento, organização e comunicação. Tudo isso na teoria parece muito fácil e tranquilo de se passar mas estar dentro desse período é o que muitos poderiam denominar inferno. Ter que lidar com as dificuldades do mercado, a concorrência agindo em muitas vezes de forma desleal, os clientes querendo serviços em prazos impossíveis, isso tudo já  são dificuldades suficientes, mas ter que lidar com tudo isso e ainda ter que ceder em momentos de conflito ou ter que abrir mão de ideias para que seja levada em diante uma sociedade saudável torna o processo por inteiro mais difícil ainda. 

Por isso, depois de alguns anos de uma sociedade que teve bons e maus momentos, mas que tem dado bons frutos, listamos uma série de benefícios e dificuldade que uma sociedade pode oferecer:

Os benefícios

  • Maximização da Força: Participar de uma sociedade significa que mais pessoas estarão trabalhando em prol de um objetivo comum que é o desenvolvimento da empresa.  Isso se torna real quando os sócios estão alinhados em alvo e objetivo, o que consequentemente trás mais resultados.
  • Ampliação da Visão: Quando temos mais pontos de vista sobre determinado assunto tornamos o resultado mais amplo. Com a sociedade funciona da mesma forma, pois é o equivalente a soma de vários universos. Vários pontos de vista trazem maturidade e riqueza a sociedade.  
  • Apoio e motivação: Quando se está sozinho é necessário uma força maior para aguentar as dificuldades do dia-a-dia empresarial. Quando se está em sociedade um ajuda o outro, fazendo assim que as dificuldades cheguem de forma menos impactante. Como diz o velho ditado: Sozinhos poderemos até chegar a algum lugar, mas juntos chegaremos mais longe!

As dificuldades

  • Burocratização Interna: Os processos deverão ser bem mais claros dentro de uma sociedade. Todas as etapas deverão ser transparentes, desde a oficialização da sociedade por meio de um contrato, até o dia-a-dia financeiro. Ainda que seja uma parceria de confiança é importante haver uma documentação real, que pode envolver a parte jurídica e contábil também.
  • Ausência de autonomia: Dentro de uma sociedade, mesmo que uma das partes tenha mais conhecimentos em uma área e a outra em outra área, é importante que decisões importantes sejam sempre tomadas em conjunto, trazendo assim certa ausência de autonomia completa.

Diante desses pontos, fica claro que o fator humano, de fato, é o quesito mais complexo de uma sociedade, pois não estamos lidando com um robô, mas sim com outro indivíduo dotado de ideais, valores e opiniões. Com isso, ao entrar numa parceria, assumimos a responsabilidade não só de nos manter satisfeitos, mas também satisfazer ao outro, tendo em vista que os dois devem caminhar em direção ao sucesso da empresa e a insatisfação de uma das partes poderá influenciar diretamente no desenvolvimento da sociedade e posteriormente no financeiro da empresa. Assim é importante que ao entrar em uma sociedade se leve em consideração todos esses pontos, tanto benefícios como malefícios, pois iniciar uma empresa ou um projeto envolve tempo, esforço e vida e creio que ninguém está disposto a investir tudo isso em algo que não vai pra frente! 

Michael Anselmo e Bruno Leonardo – Sócios desde 2014


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